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13 de julho de 2012
Dia Mundial do Rock - por Sal Ariston Jr.
No princípio criou Deus a guitarra, o contrabaixo e a bateria… A música já possuía formas, mas para muitos jovens era vazia; e havia trevas sobre a face dos ritmos existentes. Disse Deus: haja rock.E houve rock. Viu Deus que o rock era bom; e fez separações entre os instrumentos e o papel de cada integrante. E Deus chamou o ritmo de rock’n’roll. E foi a tarde, a manhã e a noite, o dia primeiro. 13 de julho de 1954.
O rebento ainda sem nome apareceu no cenário do Pós-guerra, na virada dos anos 1940 aos 1950. O filho bastardo da música country americana com o blues dos negros começou a ser tocado nas rádios do Sul dos Estados Unidos, caminhando a passos tímidos, rompendo barreiras. O primeiro disco considerado rock’n’ roll foi gravado pelo grupo The Crows, em 1951, com a canção “Gee”, três anos antes do gênero receber nome. Foi o disc-jóquei Alan Freed, em 1954, que criou um festival chamado Rock’n’roll Jubilee, e batizou a criança.
Desde então, o rock se rebelou, amadureceu e cresceu. Cresceu tanto que dos primórdios com Chuck Berry até hoje, tudo mudou. O cenário, os artistas e a forma de comercialização da música sofreram impactos. Veja a digitalização e as formas que consumimos música atualmente. I-pod, internet, MP3, diversas mídias, inúmeras possibilidades.
A década de 1950 é fundamental ao estilo. O rechonchudo Bill Halley com seus Cometas, Chuck Berry, Little Richards e Jerry Lee Lewis, deram o pontapé inicial incendiando com seus gingados, riffs de guitarra e solos de piano o coração dos jovens americanos ávidos por uma trilha que embalasse espíritos inquietos. Na cola desses pioneiros, surgiram os Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, Queen, U2, The Smiths, The Cure, David Bowie, Iggy Pop, Pearl Jam, Nirvana.
Com um motorista de caminhão, caipira, nascido em East Tupelo, no Mississipi, o rock se consolida como fenômeno para as massas. Ao fazer uma jam-session com a canção “That’s All Right Mama”, com mais dois músicos que o acompanhavam, no dia 13 de julho de 1954, lançou a pedra fundamental do ritmo. Daí a escolha da data para, em 1985, lançar o mega-evento Live Aid.
Desde então, o filho bastardo, gerado após a bomba atômica, e que pregou a paz e o amor, ganhou status. Transgressor na essência, rebelde até a medula, o rock dita moda, influencia comportamentos, embala romances, foi trilha sonora no Vietnã, criou os hippies, morreu, renasceu das cinzas e se reinventou. Ah! O motorista caipira atendia pelo nome de Elvis Presley, mas isso é uma outra história.
por Sal Ariston Jr.
10 de abril de 2012
Barão Vermelho: O Primeiro a gente nunca esquece - por Sal Ariston Jr.
Barão Vermelho: O Primeiro a gente nunca esquece
por Sal Ariston Jr.
“Pouco importa o que essa gente vá falar mal, falem mal. Eu já to pra lá de rouco, louco total... Eu sou o teu amor entenda. Você precisa descobrir o que está perdendo. É, o que está perdendo!” Assim o Barão Vermelho estreava em 1982, no primeiro álbum do grupo, batizado simplesmente como “Barão Vermelho”.
Vivendo ainda sob o regime da ditadura, um período mais “brando”, com o general João Figueiredo no poder, a juventude brasileira não se identificava muito com o que rolava no dial. Bastou uma cena carioca, uma rádio e um local para show para impulsionar as bandas que já existiam, para que fosse dado o pontapé inicial no que foi considerado o “boom” do rock nacional, com Blitz, Lulu Santos e Barão Vermelho abrindo as portas.
Gravado em dois finais de semana e lançado pela Som Livre em 27 de setembro, o primeiro disco do Barão é o disco mais cru e genial do rock brasileiro. Seu som de garagem, gravado cor urgência e pujança, foi mal gravado, é verdade, o som é abafado e chapado, pois a mixagem não prezou pela qualidade, mas esse fato é menor ante a qualidade de suas canções. Letra e Música combinavam perfeitamente, com o punch stoneano que era evidente no som da molecada na faixa dos seus 18 anos. Guto Goffi, Maurício Barros, Dé Palmeira e Roberto Frejat possuíam o feeling das músicas, do rock travesso e Cazuza, o principal letrista e vocalista encaixava como uma luva com sua poesia e escracho.
Misturando Dolores Duran e Cartola, com Rolling Stones e Bob Dylan, blues, rhythm blues, rock e MPB fazem a fusão do caldeirão do Barão e faz com que o disco traga tantos petardos, que fica difícil imaginar que uma garotada pudesse produzir som tão maduro. Produzido pelo saudoso Ezequiel Neves e Guto Graça Mello, “Down em Mim”, “Ponto Fraco”,” Billy Negão”, “Conto de Fadas”, “Bilhetinho Azul” e a clássica Todo Amor que Houver Nessa Vida, entre outras, não foram totalmente compreendidas pela galera que estava ouvindo “A vida melhor no futuro”, do Lulu, ou o “Chope com batata-frita” da Blitz. Mas o tempo se encarregou de colocar o álbum e suas canções para a história.
A partir deste disco, que vendeu muito pouco, o Barão Vermelho deixou sua marca na história do rock brasileiro, sendo, ao lado de Titãs, Paralamas e Legião, uma das mais influentes bandas nacional. O Disco completa três décadas esse ano e está sendo remixado pelos Barões remanescente para lançamento comemorativo em CD e LP novamente. Talvez, e os fãs torcem para isso, o grupo se reúna para alguns shows esse ano, em alusão ao aniversário do disco. Tomara. Ah, e nem preciso lembrar, né? Esse não pode faltar na sua coleção!
Por Sal Ariston Jr.
4 de abril de 2012
Rompendo o stablishment do rock - por Sal Ariston
Rompendo o stablishment do rock
Salve galera do Cabana Cult. Eu sou o Sal e vou estar regularmente por essas plagas para falar invariavelmente sobre música, mas especificamente uma dica de um álbum que não pode faltar na coleção dos amantes da Quarta Arte. O foco será roquenrou, mas pode vir na sequência um álbum de blues, jazz ou MPB. O negócio é ser legal, ter feito história... Espero que vocês gostem dessas dicas, que nada mais serão que um resgate de um tesouro enorme já lançado nesse mundo! É isso aí galera. Salve Cabana Cult, Salve a boa música...
“Toda tribo ateia Som!”
Gravado em míseros quatro canais, assim como o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e lançado no mesmo ano, o álbum de estréia do grupo californiano The Doors foi diferente de tudo que já se tinha ouvido no rock. E muito bom.
Gravado em agosto de 1966 e lançado na primeira semana de 1967, o álbum foi batizado com o mesmo nome do grupo, “The Doors” e a foto de capa soturna destacava o vocalista Jim Morrison com o restante da banda em segundo grupo. Um pecado, já que foi a unidade do quarteto complementado por Ray Manzarek (teclados); Robbie Krieger (guitarra) e John Desmore (bateria) que dava o som característico e único do The Doors.
Utilizando elementos do blues, jazz e até flamenco e “bossa-nova”, o primeiro disco do The Doors é tão pungente e possui tanta qualidade em suas canções, que pode soar como uma coletânea dos maiores sucessos da banda, aos mais desavisados. Ali estão contidos clássicos como Break on Through (To the Other Side), Light My Fire, Back Door Man, Crystal Ship e a épica The End, só para ficarmos nas mais óbvias.
Gravado em poucos dias, com muitas músicas sendo registradas para a posteridade em um único take, The Doors, o disco, teve como primeiro single o clássico Morrisiano Break On Throuh e sua batida “bossa nova” acelerada. Foi idéia do batera, Desmore dar esse molho latino a canção de Morrison que exultava romper para o outro lado. Para a promoção do singe, ele mesmo e Manzarek, amigos do curso de cinema que faziam na Universidade da Califórnia (UCLA), dirigiram o filme, um dos precursores dos videoclipes.
Mas foi uma canção composta por Krieger e depois elaborada em inúmeros ensaios e shows antes do registro definitivo no álbum, que se tornou a canção do verão de 67. Light My Fire incendiou o mundo e colocou o The Doors, ao lado dos Grateful Dead e os Jefferson Airplane, como ícones da contracultura da América.
Seja por suas performances bombásticas, pela interpretação passional nas canções ou pela curta e profícua carreira do grupo, esse cartão de apresentação da banda, o primeiro disco é ítem necessário na coleção de qualquer aspirante a roqueiro.
por Ariston Sal Junior
ESTRÉIA do novo colunista Cabana Cult - SAL ARISTON
Um cara legal, sensível e inteligente, com uma alma de palhaço que me impele a mandar tudo para os ares nos momentos mais cruciais.









